Grande Festival de Folclore da Relva

- Mostra Folclórica do Atlântico

O Grande Festival de Folclore da Relva – Mostra Folclórica do Atlântico, é organizado pela Junta de Freguesia da Relva e pelo Grupo Folclórico de Cantares e Balhados da Relva.


Teve a sua primeira edição no ano de 1993, com o único fim de preencher o programa do Sábado das Festas de Nossa Senhora das Neves daquele ano, onde participaram apenas quatro grupos da Ilha de S. Miguel.

Depois desta experiência, o Grupo e Junta de Freguesia, sentiram logo que era uma iniciativa que devia ter continuidade, e já no ano seguinte, em 1994, a segunda edição contou com 6 grupos da Ilha de S. Miguel e um do Continente Português.

Daí para cá, tem sido um somar de êxitos, em todas as edições, com participações de Grupos das Ilhas de S. Miguel, Santa Maria, Terceira e Pico; da Região Autónoma da Madeira do Continente Português, de onde teve grupo de diversas regiões, tais como: Alta Estremadura, Baixa Estremadura, Alto Alentejo, Beira Alta, Beira Baixa, Beira Litoral, Ribatejo, Douro Litoral e Baixo Minho.

Do estrangeiro, já estiveram presentes grupos vindos de Espanha, França, Itália, Áustria, Eslováquia, República Checa, Roménia, Brasil, Canadá, Colômbia, Venezuela e Estónia.

O Grande Festival de Folclore da Relva – Mostra Folclórica do Atlântico, é o maior realizado na Ilha de S. Miguel e um dos maiores dos Açores já bem conceituado a nível nacional, deste 1996, ano da sua quarta edição, que é reconhecido pela Federação do Folclore Português considerado por muitos entendidos como um grande abraço dos povos e um retalho de tradições. Até ao ano de 2007, teve somente a denominação de Grande Festival de Folclore da Relva, precedido do número da edição que se realizava em numeração romana. A partir do referido ano, a organização achou por bem acrescentar-lhe o subtítulo de Mostra Folclórica do Atlântico, pelo facto da sua localização ser nos Açores, precisamente no meio do Oceano Atlântico.

Na edição deste ano, o XIX Grande Festival de Folclore da Relva – Mostra Folclórica do Atlântico, teve a presença de 6 grupos da Ilha de S. Miguel, um da Estónia e um da República Checa.

A edição de 2011, foi um sucesso que superou todas as expectativas, quer a nível da qualidade dos grupos participantes, e no número de espectadores, que terá sido o que maior número teve.

A organização, já está a trabalhar para a organização da vigésima edição, que novamente terá a presença de grupos estrangeiros e outros nacionais.

Cantar às estrelas

O Grupo Folclórico de Cantares e Balhados da Relva, no ano de 1997, recuperou a tradição do “Cantar às Estrelas”, na freguesia da Relva, pois já ia para mais de dias décadas, que a mesma não se realizava.

Assim, o grupo sai na noite de um para dois de Fevereiro, ou no sábado mais próximo, devidamente trajado, onde as mulheres se cobrem com xailes pelos ombros, por causa do frio, e também por ser uma peça de vestuário antiga. A acompanhar vai uma estrela iluminada e algumas lanternas, como antigamente, e desfilando pelas ruas da freguesia, cantando às estrelas e parando em diversas casas, onde são servidos bolos e doces tradicionais, bem como alguns licores, também regionais.

Segundo a tradição relvense, no cantar, também se pedia ofertas para no domingo seguinte se fazer um jantar, onde participava o chefe de família de cada casa visitada, incorporando-se estes no desfile, o jantar é o almoço de hoje em dia, porque antigamente em S. Miguel o jantar era ao meio-dia e à noite a ceia.

No séc. XIX, com aparecimento das filarmónicas, foram introduzidos nesse cantar alguns instrumentos de sopro. Nós tentàmos cantá-lo o mais original possível, tocando só com instrumentos típicos do folclore. Outro pormenor, as mulheres antigamente não saíam à rua para cantar às estrelas como as do nosso grupo o fazem hoje, mas somos um Grupo Folclórico e como tal todos os elementos participam no avivar de tradições.
Deste modo, pode-se constatar que esse cantar tem muitas diferenças na Ilha de S. Miguel.

O “Cantar às Estrelas”, é uma tradição muito antiga e que se perde no tempo. Mesmo nos Açores, só é conhecida em São Miguel, embora no continente, na Madeira e mesmo noutras ilhas açorianas se cante as “Janeiras” por altura dos “Reis”. Em S. Miguel o Cantar às Estrelas foi a tradição com mais relevância.

Quanto ao seu aparecimento, não se tem conhecimento da data precisa, sabendo-se que sempre se canta pela altura da celebração da festa em honra de Nossa Senhora da Estrela ou Nossa Senhora das Candeias. Daí ser um cantar de devoção a Nossa Senhora, com música própria e diferente dos reis, podendo-se constatar na letra que segue:

Hoje é véspera das estrelas
Amanhã é o seu dia
Cantam os anjos no céu
Com prazer e alegria (ou)
Ao lado da virgem Maria

O cantar que o grupo vai executar, segundo o senhor José de Oliveira, tocador do grupo na altura da recuperação em 1997, é originário da Relva, pois existem outras músicas comuns a todas as freguesias e outras específicas de outras povoações, havendo mesmo sítios que o dono da casa respondia antes de abrir a porta, o que não acontecia nesta localidade.

Festas do
Divino Espírito Santo

As Festas do Divino Espírito Santo são um dos expoentes máximos da religiosidade do Povo Açoriano, a par das do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
Sendo o Grupo um representante da cultura e etnografia popular da região dos Açores, levou a efeito a 1ª dominga do Espírito Santo, (Santíssima Trindade) no ano de 2005.

Deste teve lugar a reza do Terço, nos moldes tradicionais, as sopas do divino, a respetiva coroação e procissão.